Invasores de corpos

O mundo ocidental não é, em geral, ostensivamente machista. Obviamente não é feminista. É injusto com as mulheres, uma espécie encurralada e ameaçada de extinção – no sentido figurado, claro. Em comparação com o século XXI, o movimento feminista tinha um trabalho mais fácil em seus primeiros dias. As mulheres e homens que defenderam direitos iguais de voto ou propriedade privada tinham um objetivo palpável para lutar. Era algo concreto, sem subterfúgios: ou as mulheres votavam e portanto haviam conquistado a igualdade política ou não votavam e permaneciam discriminadas.

A causa agora é invisível, difusa, subliminar e, portanto, muito mais poderosa. Minha teoria é que nunca antes na história universal – aproveitando a frase adaptada de um ex-presidente brasileiro – as mulheres estiveram em tamanha desvantagem. Pode parecer um contrasenso e até uma injustiça com tantos homens e mulheres que durante 200 anos de história do feminismo conseguiram avanços fundamentais, mas espero tornar clara minha teoria aqui no blog.

Não pretendo repetir o blá,blá,blá da mulher submetida a dupla jornada de trabalho nas grandes cidades brasileiras e latino-americanas, escravizada por padrões estéticos irreais, horrorizada porque tem rugas, celulite e cabelos brancos. Enfim, porque é um ser vivo, que respira, muda a cada mês e envelhece como todas as espécies. Tudo isso é muito conhecido. Vai aparecer aqui e ali, pois é parte do mundo que vejo, mas forma a espuma, não o corpo. Me interessa discutir como preconceitos subliminares e estilos arbitrários ditados pela sociedade estão destruindo as mulheres em sua essência, de onde tirei o título do blog.

Nunca me interessou a discussão de gênero no sentido tradicional do termo, pois não via que as diferenças entre homens e mulheres fossem determinadas por fatores exógenos, ou seja, pelo meio ambiente. Acreditava que as mulheres já haviam conquistado um tal ponto de liberdade social capaz de tornar irrelevantes ou secundárias as diferenças de gênero ditadas pela sociedade. Agora vejo que estava enganada. As mulheres de 20 anos têm a falsa sensação de ter alcançado um padrão de autonomia (moral, religiosa, estética, afetiva, relacional etc) real, até que a vida lhes ensina gradativamente que era tudo ficção e as armadilhas do meio ambiente crescem a seu redor.

Enquanto escrevia me veio à cabeça o filme de ficção científica Vampiros de Almas (Invasion of the Body Snatchers), o original de 1956 e a versão de 1978 (Invasores de corpos), com o bom trabalho do ator Donald Sutherland. Nele, alienígenas invadiam o corpo de humanos sem encontrar resistência e os transformavam em uma cópia de si próprios, mas sem emoções, com a consequente morte do original humano. Qualquer semelhança é de livre associação do leitor.

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